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Rio Verde,03/05/2026

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Diulli Fernanda

O que vem antes de um diagnóstico?


O que vem antes de um diagnóstico? Diulli Fernanda 'mãe atípica'

O que vem antes de um diagnóstico?

O que vem antes das palavras: “Seu filho ou sua filha se encaixa no espectro”?

O que vem antes daquele choro entalado na garganta, daquela lágrima que escorre no canto do olho?

O que vem antes da mãe que precisa crescer e virar uma leoa?

Da mãe que agora precisa entender de leis, de medicações, de psicologia?

Para chegar até o diagnóstico e à mãe atípica, vocês vão primeiro precisar conhecer a Diulli — a pessoa. A Diulli de antes, por trás do diagnóstico.

Diulli nasceu na década de 90. Foi criada por uma mãe do lar e por um pai (padrasto) gerente de fazendas. Desistiu dos estudos. Sofreu abusos sexuais. Casou cedo. Veio a primeira gestação. O casamento não deu certo.

Algum tempo depois, veio o segundo casamento. Depois, a segunda gestação. O casamento seguiu, veio a terceira gestação, mas com essa notícia também veio um acontecimento que mudaria toda a minha trajetória: a perda do meu marido.

Ali, minha história mudou completamente. Minha vida tomou um rumo que eu jamais poderia imaginar. Foram meses de uma gestação muito difícil, com várias idas e vindas ao hospital, até o momento mais lindo: o nascimento do meu Pedro Davi.

O tempo foi passando e, com ele, vieram os sinais.

A fala demorou a surgir. O olhar não cruzava com o nosso. Faltava interação com outras crianças. Sons altos eram um problema. Luzes também. As noites sem sono pareciam não ter fim.

Até que, depois de muito esperar, aos três anos, veio o martelo.

Confesso que, quando o médico deu o diagnóstico, foi uma mistura de sentimentos. Frustração. Raiva. Desespero. Questionamentos. Mas também foi alívio.

Alívio de saber que agora tudo aquilo teria um tratamento. Alívio, principalmente, de saber que o que eu sempre senti dentro de mim não era paranoia, não era coisa da minha cabeça. Afinal, toda mãe sabe quando algo não está certo.

Ali, naquele momento, precisou morrer uma Diulli para que outra pudesse nascer. Precisou morrer uma mãe para que outra pudesse surgir.

Eu sabia que aquela Diulli que sonhou e idealizou um filho morreria para dar lugar à Diulli mais forte, mais guerreira, mais atenta aos aprendizados.

Pois é isso que acontece antes do diagnóstico: somos alguém que precisa morrer para que uma versão melhor de nós, como mulher e como mãe, possa nascer.



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